martes, 17 de febrero de 2009

Dulce Pontes - Fado Portugués


Para um espanhol como eu, escutar Fado é como escutar o alma portuguesa; é sentir a sensibilidade de um sofrido povo cheio de melancolia.
O fado me enche de nostalgia, seguramente a culpada seja uma pequena parte de minha genética Lusa ou o telefonema do sangue misturado.
Quanto a Doce Pontes, penso que é a herdeira natural de Amalia Rodrigues







O fado nasceu um dia
Quando o vento mal bulia
E o céu o mar prolongava
Na amurada de um veleiro
No peito de um marinheiro
Que estando triste cantava

Ai que lindeza tamanha
Meu chão, meu monte, meu vale
De folhas, flores, frutas de oiro
Vê se vês terras de Espanha
Areias de Portugal
Olhar ceguinho de choro

Na boca de um marinheiro
No frágil barco veleiro
Cantando a canção magoada
Diz o pungir dos desejos
Do lábio a queimar de beijos
Que beija o ar e mais nada

Mãe adeus, adeus Maria
Guarda bem o teu sentido
Que aqui te faço uma jura
Que eu te leve à sacristia
Ou foi Deus que foi servido
Dai-me no mar sepultura

Ora eis que embora outro dia
Quando o vento nem bulia
E o céu o mar prolongava
A proa de outro veleiro
Velava outro marinheiro
Que estando triste cantava